Data: 01/10/2026

Do Nobel às artes e aos negócios, conheça histórias que mostram que grandes conquistas, novos projetos e descobertas não têm idade para acontecer. 

Celebrado em 1º de outubro, o Dia Internacional da Pessoa Idosa foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a reflexão sobre os direitos, a participação e a contribuição das pessoas idosas na sociedade. 

Mas falar sobre envelhecimento também é falar sobre possibilidades. 

Existe uma ideia de que os 60 anos representam o fim de uma fase: o encerramento da vida profissional, a chegada da aposentadoria ou o momento de diminuir o ritmo. Mas a história mostra que pode ser diferente. 

Na ciência, na literatura, na arte e nos negócios, pessoas continuaram criando, descobrindo, inovando e transformando o mundo muito depois dos 60 anos. 

Confira agora algumas histórias de pessoas que provaram que novos começos também podem acontecer depois dos 60. 

O Nobel também mostra que grandes conquistas não têm idade 

O Prêmio Nobel reúne histórias que mostram que conhecimento, criatividade e descobertas podem transformar o mundo em qualquer fase da vida. 

John B. Goodenough recebeu o Nobel de Química aos 97 anos, tornando-se a pessoa mais velha a receber um Nobel. Foi reconhecido pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio, hoje presentes em celulares, computadores, veículos elétricos e diversos outros equipamentos. 

Aos 96 anos, Arthur Ashkin recebeu o Nobel de Física pela invenção das chamadas “pinças ópticas”, tecnologia que utiliza a luz para manipular partículas, átomos, moléculas e células vivas. 

Roger Penrose recebeu o Nobel de Física aos 89 anos, por suas descobertas sobre a formação de buracos negros. 

Na literatura, Doris Lessing recebeu o Nobel aos 87 anos, após construir, ao longo de décadas, uma extensa trajetória literária, com cerca de 50 livros publicados. 

Quatro pessoas. Quatro histórias. Quatro idades. 

E se você começasse algo novo aos 60, 70 ou 80? 

Uma das histórias mais curiosas é a da artista norte-americana Anna Mary Robertson Moses, conhecida como Grandma Moses. 

Ela começou a pintar seriamente aos 77 anos. Aos 80, realizou sua primeira exposição individual em Nova York e, nos anos seguintes, tornou-se uma das artistas populares mais conhecidas dos Estados Unidos. 

Ao falecer, aos 101 anos, havia deixado um legado de mais de 1.500 pinturas. 

Outro exemplo é o de Harland Sanders. Aos 62 anos, o Coronel Sanders, como ficou conhecido, franqueou sua receita pela primeira vez, em 1952. O acordo marcou o início do modelo de franquias que ajudaria a transformar o Kentucky Fried Chicken (KFC) em uma rede mundial. 

E no Brasil? 

Por aqui, também há histórias de pessoas que continuaram criando, conquistando reconhecimento e fazendo história muito depois dos 60. 

Cora Coralina publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, aos 75 anos. Embora escrevesse havia décadas, foi nessa fase da vida que sua obra chegou ao público em forma de livro. 

Aos 83 anos, Fernanda Montenegro recebeu o Emmy Internacional de Melhor Atriz por sua atuação em Doce de Mãe. 

Oscar Niemeyer completou 100 anos em 2007 e continuou desenvolvendo projetos arquitetônicos. Entre eles está a Praça do Povo, em Brasília, registrada pelo acervo do arquiteto naquele ano. 

São trajetórias diferentes, em áreas diferentes, mas que mostram que a idade não precisa ser um ponto final. 

E quanto tempo temos pela frente? 

Essas histórias ajudam a mudar a forma como enxergamos os 60 anos. E os dados mostram que essa mudança de perspectiva faz cada vez mais sentido. 

Segundo o IBGE, em 2024, uma pessoa que chegava aos 60 anos no Brasil tinha, em média, mais 22,6 anos de vida pela frente. Aos 65, eram mais 18,8 anos; aos 70, 15,2 anos; e, aos 80, ainda havia uma expectativa média de mais 9 anos. 

Ou seja: chegar aos 60 não significa apenas ter vivido seis décadas. Significa, em média, ter mais de duas décadas pela frente. 

E o Brasil está envelhecendo. Entre 2000 e 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% para 15,6% da população. A projeção do IBGE é que esse grupo represente 37,8% da população brasileira em 2070. 

Isso significa que viver mais também é ter mais tempo para planejar, escolher, realizar e aproveitar. 

Por isso, falar sobre aposentadoria hoje também é falar sobre longevidade. Quanto mais tempo temos pela frente, mais importante é pensar em como queremos viver esse tempo e como podemos nos preparar financeiramente para as escolhas que desejamos fazer no futuro. 

As destas e de tantas outras pessoas mostram que não existe uma idade única para fazer algo extraordinário. 

Neste Dia da Pessoa Idosa, o Cibrius celebra não apenas os anos vividos, mas todos os capítulos que ainda podem ser escritos. 

Fontes: 

https://www.un.org/en/observances/older-persons-day

https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/2019/goodenough/facts

https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2020/penrose/facts

https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2018/ashkin/facts

https://www.nobelprize.org/prizes/literature/2007/lessing/facts

https://www.si.edu/stories/grandma-moses-started-painting-age-77

https://global.kfc.com/our-history

https://leb.ufes.br/pt-br/node

https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/series/doce-de-mae/noticia/doce-de-mae.ghtml

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/12/15/interna_cidadesdf,282885/niemeyer-descreve-uma-rotina-diaria-de-trabalho-com-direito-a-novas-ideias.shtml

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45275-expectativa-de-vida-chega-a-76-6-anos-em-2024